As pílulas mágicas do soninho. Será?

Vocês já conhecem as pílulas do sono?

Doses de melatonina estão sendo dadas às crianças para que elas consigam dormir mais, muitas vezes sem prescrição médica e sem preocupação com os efeitos colaterais que elas possam causar no funcionamento do organismo e sua possível dependência.

Neste artigo, vamos falar sobre a melatonina (conhecida como o hormônio do sono) sintética, que vem sendo vendida em potinhos, na forma de comprimidos, gotas, cápsulas e até mesmo balas, comercializada livremente em alguns países e liberada parcialmente aqui no Brasil.

A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, que fica atrás dos olhos, e uma de suas funções é preparar seu corpo para o sono. O aumento da produção acontece no final do dia, quando começa a escurecer. Ela atinge seu nível máximo quando estamos dormindo. Quando o dia amanhece e a claridade volta, a glândula reduz a produção, sinalizando que é o momento de acordar.

Fiz um vídeo especialmente para os pais que tinham curiosidade em saber como funciona a melatonina no sono do bebê.

Por ser responsável pela regulação do sono em todo o organismo, a maior parte dos órgãos possuem receptores de melatonina. Portanto, é bem possível que ela atue no organismo de diversas formas, que provavelmente seja desconhecida pela ciência. Acredita-se que ela também tenha a função de regeneração celular e ajude a combater inflamações no organismo. Mas essas são apenas suposições que ainda devem ser comprovados por estudos mais detalhados.

Mas a discussão que viemos trazer neste artigo é que as pílulas de melatonina sintética estão sendo comercializadas prometendo ajudar no sono das crianças. Elas aparecem em formas de pílulas e, até mesmo, de balas. Muitos pais estão fazendo o uso de pílulas de melatonina para induzir o sono de suas crianças.

Mas será que isso é saudável?

No Brasil esse tipo de medicamento é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), liberado parcialmente em farmácias de manipulação, mas muitos pais têm adquirido o hormônio em lojas de conveniência e supermercados dos Estados Unidos, onde não há necessidade de receitas médicas.

Segundo a ANVISA

“O consumo é permitido, mas a comercialização no Brasil não. E a decisão para aprovação do uso, implicará somente para ser usada como insumo. Com isso, sites nacionais não podem vender o produto, por exemplo. Importante destacar que o comércio da melatonina pela internet ou em estabelecimentos é proibido porque o produto não tem registro. E não porque a substância seja proibida.”

Nos Estados Unidos, os números referentes à venda de melatonina são surpreendentes. Um levantamento do Nutrition Business Journal revelou que as vendas aumentaram 500% de 2003 a 2014. Embora esse valor esteja relacionado ao consumo em geral, não especificamente infantil, o crescimento continua sendo muito grande.

Segundo relato de alguns pediatras, cada vez mais pais estão procurando informações sobre o medicamento em seus consultórios por acharem que suas crianças não dormem ou despertam muito à noite. Pior que isso, muitos estão fazendo o uso sem ao menos consultar o médico de sua criança, achando que ela não produz o hormônio.

A Sociedade Canadense de Pediatria diz que todas as pesquisas realizadas até agora sobre o uso de pílulas de melatonina em crianças não conseguem garantir uma segurança no uso, porque não tem como testar os efeitos e a eficácia da substância em longo prazo.

Alguns experimentos revelaram que a melatonina sintética pode causar alterações no sistema metabólico, cardiovascular e reprodutivo, conforme mostra estudos de diferentes instituições como a Universidade da Carolina do Norte e a Universidade de Genebra. 

Mas quando a suplementação de melatonina é necessária?

Existem casos em que a melatonina sintética é indicada pelos médicos, por exemplo quando o organismo da criança não produz o hormônio naturalmente, ou produz em pouca quantidade.

Nessas situações, que são bem raras, a substância vai fazer muita diferença na vida da criança e de toda a sua família. Geralmente essa indicação acontece quando a criança tem autismo, cegueira total, lesão neurológica, alguma doença grave ou algum problema cerebral irreparável.

Nesses casos, o uso do hormônio sintético é considerado relativamente seguro, mas alguns efeitos colaterais já têm sido comprovados (em especial quando a dosagem é muito grande), como desconforto abdominal, pesadelos, agressividade, perda de apetite e puberdade tardia ou precoce.

Os pais que decidiram dar melatonina para seus filhos sem indicação do médico, devem estar cientes da gravidade do que estão fazendo. Assim como qualquer medicamento administrado sem orientação médica, é preciso ter várias cautelas como a dosagem, o horário que deve ser administrado e por quanto tempo.

Embora algumas embalagens de melatonina sintética trazem a informação que se trata de um produto natural para ajudar no sono da criança, isso é apenas uma estratégia de marketing para vender mais o produto.

Se você observar bem, na própria embalagem, em letras menores, você vai encontrar uma frase que diz que o medicamento não tem aval do FDA (órgão americano similar à ANVISA). A fabricante de uma marca de melatonina, que tem formato de ursinhos e se parece muito com balas, traz em sua embalagem a seguinte informação: antes de ministrar a substância a qualquer criança, consulte a opinião de um pediatra.

Então, muito cuidado!!!

Conforme disse no vídeo acima, há outras maneiras de você se beneficiar desse hormônio, uma delas é por meio de alguns alimentos ricos em triptofano, que ajudam na produção da melatonina.

Veja o artigo completo sobre o sono e a alimentação clicando aqui.

Na tabela abaixo, você pode conhecer quais são os principais alimentos.

Além da alimentação, criar uma rotina e um ritual de sono eficaz são essenciais para fazer com que sua criança tenha um sono de melhor qualidade.

Para mais informações sobre o sono da criança clique aqui e veja como posso te ajudar melhor.


Espero que as informações tenham sido úteis pra você. Se gostou, comente, troque sua experiência, compartilhe! 😉

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