Como cuidar dos primeiros dentinhos

Durante a primeira infância de nossa criança, passamos por diversos marcos. Um bem importante na vida dos nossos bebês é o nascimento dos dentinhos.

Sonhamos com aquele sorrisão mostrando os primeiros dentinhos, mas também morremos de medo das reações que nossos bebês possam ter quando eles começam a sair. Mas tudo passa tão rápido… e o que fica é a saudade daquele sorrisão banguela depois.

Neste artigo vamos falar sobre o nascimento dos dentes de leite: quando ocorre e como cuidar.

Vamos lá?

Os primeiros dentes

Geralmente, os primeiros dentes de um bebê nascem por volta dos 6 meses de idade. Claro que isso não é regra e pode variar de criança para criança, pode acontecer de o dente nascer com 3, 4 ou 5 meses.

Os primeiros costumam ser os frontais da parte inferior e eles podem nascer entre os 6 e os 8 meses, mas, assim como em alguns bebês a erupção pode adiantar, em outros, pode atrasar. Existem casos em que os bebês podem chegar a 1 aninho e ainda não ter nascido nenhum dente. Se isso acontecer, o ideal é informar ao pediatra e ele provavelmente vai encaminhar o bebê ao odontopediatra. 

Em situações muito raras, o primeiro dentinho pode aparecer no primeiro mês de vida do bebê, ou, até mesmo, já nascer com ele, é o chamado dente neonatal.

A seguir ilustramos a idade em que cada dente costuma nascer. Mas, como falamos anteriormente, as idades podem variar de criança para criança.

Só lá pelos 3 anos é que sua criança deve ter todos os 20 dentes de leite na boca, 10 na parte superior e 10 na parte inferior, e ela deve estar completa até os 5 anos de idade, que é a fase em que os dentes de leite podem começar a cair, mas podem cair um pouco antes dos 5 anos também e está tudo certo. As meninas costumam passar por esse processo um pouco antes. Após os 5 anos também é bem comum que os dentes molares, aqueles lá no fundo da boca, comecem a aparecer.

Valentina, com 4 anos e meio, já sem os dois incisivos inferiores centrais. 😉

As principais reações que o bebê pode ter com a chegada do dentinho

  • Maior produção de saliva, por isso que eles costumam babar mais do que normalmente babavam. Separem os babadores! 😉 
  • A gengiva fica um pouco mais inchada, sensível e esbranquiçada.
  • Perda de apetite ou preferência por alimentos mais líquidos.
  • A necessidade de sucção pode aumentar. (Por isso algumas mães relatam que o bebê está querendo mamar mais, pois preferem o líquido e a sucção também relaxa, já que ele está incomodado com a gengiva.)
  • Dificuldade de relaxar para dormir.
  • Irritação, causada pela dor e desconforto quando os dentes começam a romper a gengiva.
  • Necessidade de morder para aliviar a coceira.
  • Febre e diarreia em alguns casos.

Observação:

De acordo com especialistas, a febre e a diarreia não são causadas diretamente pelo nascimento do dente, e sim por alguma virose que ela pode pegar por levar tudo à boca e estar cansada e vulnerável.


O nascimento dos dentes pode prejudicar o sono da criança?

Infelizmente sim!

Algumas crianças podem sentir dor e incômodo com o rompimento da gengiva, e aí ela pode não conseguir ter um sono de qualidade e tranquilo, inclusive durante as sonecas.

Mas se ela está bem adaptada à rotina, o que a deixa mais tranquila e relaxada, já está em um processo de sono-aprendizagem ou já aprendeu a relaxar para dormir, o nascimento dos primeiros dentinhos pode passar despercebido e não prejudicar tanto a rotina do sono da sua criança.

Não se esqueça que eles continuarão nascendo pelos próximos 2 anos, então melhor manter a rotina e continuar insistindo nos bons hábitos de sono com sua criança. (Se quiser aprender mais sobre bons hábitos de sono, clique aqui para conhecer o Programa Fada do Sono).

Como suavizar as reações causadas pelo nascimento dos primeiros dentes

  • Se tiverem mais de 6 meses, ofereça alimentos mais duros ou então congelados, como: banana ou cenoura, pois ajudam a coçar a gengiva e o gelado oferece um efeito anestésico. Mas ofereça apenas com supervisão.
  • Uma boa ideia, que também traz bastante segurança, é usar aquelas redinhas para colocar pedaços de frutas para a criança ficar sugando.
  • Cuide da hidratação e da limpeza do queixo e da boca do bebê, pois pode aparecer algumas feridinhas em razão da salivação excessiva.
  • Dê muita água, de preferência em temperatura natural para fria.
  • Ofereça mordedores ou colher de silicone, de preferência aqueles que vão na geladeiras e ficam geladinhos. Alguns possuem texturas que oferecem alívio à coceira na gengiva.

  • Se usa chupeta, aperte a chupeta até sair o ar de dentro dela, em seguida mergulhe num recipiente com água e solte o bico, assim ele irá sugar a água pra dentro, congele a chupeta e depois ofereça ao bebê, o geladinho também terá um efeito anestésico e resolverá a questão de o bebê querer levar qualquer coisa à boca. A sucção também o deixará mais calminho.
  • Faça massagem com o seu dedo ou com uma dedeira de silicone.
  • Em alguns casos, quando o desconforto estiver muito grande, dê um remedinho. Mas lembre-se de nunca medicar seu filho sem antes falar com o pediatra.
  • Se tiver mais de 6 meses, você pode umedecer uma gaze com o chá de camomila gelado e massagear a gengiva do bebê suavemente. É um calmante natural.

Como fazer a higiene na boquinha da sua criança

Antes de os dentes nascerem

Não há consenso na literatura sobre a higiene oral do lactente. Alguns especialistas recomendam que se use aquelas escovinhas de dedo de silicone, ou um paninho úmido, ou gaze para limpar as gengivas e para o bebê ir se acostumando com a ideia de escovar os dentinhos. 

De acordo com o Grupo de Saúde Oral da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), em Atualização de Condutas em Pediatria (2015):

“Acredita-se que não haja necessidade de limpeza da boca do recém-nascido em aleitamento materno exclusivo e sem a presença de dentes na boca, uma vez que o leite materno estimula a produção de anticorpos e imunoglobulina. Acredita-se que a “borra do leite materno” remanescente sobre a língua ou roletes gengivais apresenta um fator fator protetor importante para a saúde”. (p.10)

Assim, de acordo com novos estudos, a higiene oral deve começar com o surgimento do primeiro dente de leite e/ou com a introdução de outros alimentos além do leite materno.

Segundo a Organização Mundidal da Saúde (OMS), os benefícios da amamentação são inúmeros, indicou inclusive que o leite materno pode proteger contra a cárie dentária na primeira infância, por isso recomendam a amamentação até pelo menos 2 anos de idade da criança. (Avila, 2015)

Após os dentes nascerem

Quando nasce o primeiro dente, as bactérias já sabem onde se instalar, aí a cárie pode surgir já no primeiro dentinho se não tiver uma boa escovação.

Para evitar, é muito importante fazer a higiene bucal (dentes, gengiva e língua) bem certinha, seguindo orientações do odontopeditara.

Se a criança mama mamadeiras adoçadas ou espessadas, inclua mais uma escovação antes de ela dormir. Nesse caso, não é bom a criança dormir mamando, a mamadeira terá de ser incluída em outro passo do ritual do sono. (Para saber mais sobre o ritual do sono, clique aqui.)

Use uma escova pequena, macia e adequada para a idade do bebê, que deve ser trocada a cada 3 meses.

O pasta de dente (ou creme dental) só pode ter flúor quando a criança já souber cuspir. A escovação bem feita é mais eficaz que a quantidade de pasta. 

Assim, para as crianças com até 3 anos, essa quantidade de pasta deve ser comparada com o tamanho de um grão de arroz. A partir dos quatro anos, quando a criança já souber cuspir e a pasta tiver flúor, pode-se aumentar a quantidade de pasta para o equivalente ao tamanho de um grão de ervilha.

A criança deve ser estimulada a escovar os dentes sozinha, mas indica-se que até os 8 anos a escovação diária seja supervisionada pelo responsável, orientando e dando uma reforçada no final, porque ela ainda não tem habilidades motoras muito bem desenvolvidas; mas mantenha sob o seu cuidado principalmente a escovação noturna, ela é a que deve ser feita com maior atenção e capricho.


De acordo com o Grupo de Saúde Oral da SPSP, os objetivos do monitoramento pelo odontopediatra, após a erupção do primeiro dentinho, incluem:

  • Promover a saúde oral.
  • Iniciar o acompanhamento da erupção dos dentes, monitorando o crescimento e desenvolvimento dos arcos dentais.
  • Estabelecer ações preventivas para evitar a erosão dental, cárie dentária, doença periodontal, oclusopatias e traumatismos orais.
  • Orientar para motivar os hábitos saudáveis que favorecerão a melhor qualidade de vida.
  • Com as visitas regulares, criar um vínculo de confiança entre a família, profissional e criança, tão importante para o sucesso das ações preventivas.

Na cadeira do dentista

Para finalizar, convidamos a doutora Carla Montagner Colussi, Odontologista, Clínica geral e especialista em disfunção da ATM e dor orofacial de adultos e crianças para nos responder algumas questões:

1 – Carla, quando o bebê deve fazer sua primeira visita ao dentista?

Resposta: A primeira visita ao dentista deve ser feita assim que nasce o primeiro “dente decíduo”, que é o primeiro dentinho de leite. Na média, esse dente nasce com 6 meses de idade, mas pode variar às vezes e nascer um pouquinho antes ou um pouco depois, mas normalmente é aos 6 meses de idade. Lembrando que podem acontecer casos que a criança já nasce com o dentinho, então, nessa situação, a mãe já deve procurar uma orientação do odontopediatra para fazer a correta higienização.

2 – Deve retornar de quanto em quanto tempo?

Resposta: É recomendado um retorno a cada seis meses.

3 – Alguns bebês dormem mamando, o leite materno pode dar cárie? Ou o problema é só a mamadeira adoçada ou com espessantes?

Resposta: O leite materno por si só não causa cárie, o que causa é o que era chamado de cárie da mamadeira e hoje conhecemos por cárie severa da infância. É a cárie causada não pelo leite puro, e sim pelo o que é misturado ao leite, como açúcares e achocolatados ou qualquer outro produto que contenha açúcares. (Se for o caso, inclua a escovação antes de a criança dormir.)

Mas a verdade é que a cárie está associada à correta higienização, pois não pode ocorrer o acúmulo de placa bacteriana nos dentinhos. Por isso, o melhor a fazer é buscar uma orientação do pediatra ou do odontopediatra, que poderá ajudar de acordo com a fase nutricional de cada criança.

Eu oriento muito meus pacientes a segurar o açúcar o máximo possível, quanto mais tempo pudermos evitar, melhor. Você não precisa ficar com pena da criança, porque ela não sabe o que é o doce, ela não conhece o sabor, então ela não sofre com isso. Os açúcares não fazem falta no crescimento das crianças, muito pelo contrário. As frutinhas, por exemplo, já trazem o doce da frutose e deixam a alimentação completa.

(Para saber mais sobre a oferta de doces para crianças, clique aqui.) 

Já é difícil fazer uma higienização perfeita no dentinho das crianças, sei que damos o nosso melhor, mas com os doces fica ainda mais difícil, então o quanto mais pudermos evitar os doces, melhor.

4 – Pomadas anestésicas e medicamentos para dor realmente fazem diferença para algum desconforto durante a erupção dos dentinhos? Na sua opinião, o que realmente ajuda?

Resposta – Quando as mães percebem um aumento da salivação e muita coceira na gengiva, além de perceber o rebordo alveolar, que é onde nascem os dentinhos, mais durinhos e esbranquiçados, é porque está para erupcionar o dentinho. Para aliviar o incômodo eu gosto de indicar uma pomadinha chamada Nenê Dent, que alivia a coceira. Os novos mordedores que põe na geladeira e que traz um líquido dentro, dá um alívio porque está geladinho. Quando a criança se adapta, percebemos que eles sentem um conforto maior.


Colaboradora deste artigo:

Dra. Carla Montagner Colussi – Odontologista e Clínica geral, especialista em disfunção da ATM e dor orofacial de adultos e crianças. (11) 2898-9669

Bibliografia consultada neste artigo:

Avila WM, Pordeus IA, Paiva SM, Martins CC. Breast and Bottle Feeding as Risk Factors for Dental Caries: A Systematic Review and Meta-Analysis. PLoS One. 2015 Nov 18;10(11):e0142922.

Grupo de Saúde Oral, Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Atualização de Condutas em Pediatria. 2015;72:1-10. Disponível em: <http://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec_72_Oral.pdf>. Acesso ago. 2017.


E como é na sua casa? Já nasceu os dentinhos do seu bebê? Como foi? Alguma dica que funcionou para o seu bebê que gostaria de compartilhar conosco?

 

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