Como fazer os primeiros socorros em sua criança em 10 situações

Nossas crianças, mesmo vigiadas de perto, podem nos surpreender. Em questão de segundos, podem ser envolver em alguma situação de risco e se machucarem.

É essencial, para nós, pais, ter algum conhecimento de primeiros socorros. Não espere acontecer para aprender que poderia ter feito melhor. Pode ser um cortezinho, uma queimadura, um engasgo ou até uma torção. Você realmente sabe o que fazer e como fazer nessas situações?

O principal é saber reconhecer o que é grave e como agir até a chegada ao pronto atendimento. Sempre manter a calma para agir corretamente e tranquilizar a sua criança e ter por perto um kit de primeiros socorros. Ter o número de telefone do pediatra e do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – 192) também são essenciais para ajudar em uma emergência.

Neste artigo, pedimos a colaboração da enfermeira e pós-graduada em Enfermagem, Ana Carolina Luiz, inscrita no COREN – SP 334.263, mamãe do Gabriel de 2 anos e 9 meses, que vai dar algumas dicas valiosas em cada situação que possa acontecer com nossas crianças para sabermos como agir corretamente.

Vamos lá?

1 – Quedas/Lesão na cabeça

Se sua criança bateu a cabeça, ela pode apresentar tonturas e até desmaiar por um breve momento. Além de dores fortes na cabeça, ela pode vomitar e sentir sonolência ou dificuldades de andar.

O que fazer

Quedas são sempre complicadas, ainda mais quando se bate a cabeça, pois várias lesões podem ocorrer, até mesmo quando a batida não for muito forte, podem aparecer sintomas como desmaios ou confusão. Mesmo que os sintomas não apareçam de imediato, fique atento(a) em até uma semana após a queda. Se aparecerem, procure ajuda médica e explique o que houve para que o médico solicite os exames necessários.

Há muitas situações relacionadas às quedas, a seguir vamos conferir algumas.

  • Se a queda foi de um local bem alto, independentemente de apresentar sintomas ou não, uma avaliação médica e radiológica é necessária.

Atenção:

  • Se a criança tiver menos de 1 ano de idade, não importa a altura da queda, procure avaliação médica imediata, pois, nessa faixa etária, existe maior risco de fraturas ósseas não perceptíveis ao nosso olho e a criança não sabe indicar muito bem de onde vem a dor.

  • Quando a criança bater a cabeça, e não houver grandes traumas, primeiramente, mantenha ela acordada por pelo menos 1 hora, chorar após uns 10 minutos da queda é considerado normal; se o olhar ficasse vago, se ficar muito sonolenta, comunique o médico. O estresse pode causar sonolência. Se estiver perto da hora de dormir e não for possível segurar muito tempo, deixe-a dormir, mas observe sua criança dormindo a cada 2 a 3 horas.
  • Se aparecer “galo”, aplicar uma compressa gelada de imediato durante cerca de 20 minutos, repetir nos próximos dias. Você também pode aplicar uma pomada para hematomas, como a Hirudoid, no dia e nos dias seguintes.
  • Se o ferimento for leve e sangrar, comprimir o ferimento com um pano limpo ou gaze, até o sangramento cessar. Se o corte for profundo ou se o sangramento não parar, é necessário uma avaliação médica para ver a necessidade de dar pontos. 
  • Apresentando vômito, avise o médico, ela pode ser medicada para que o mal estar passe. Se a criança já possui as habilidades de linguagem, converse com ela, pergunte o nome, idade, onde está, pois temos que saber o nível de consciência da criança para que você saiba passar para o médico como está sua criança.

Tenha sempre em mente que se você não mantiver a calma, sua criança também não manterá, ficando mais difícil de analisar os sintomas para agir e/ou para passar ao médico ou enfermeiro.

2 – Reação alérgica

Pode começar com uma coceira. O rosto e os lábios podem inchar e a criança pode começar a tossir, respirar com mais dificuldade ou até mesmo parar de respirar. Tonturas, vômitos ou diarréia são sintomas possíveis de uma reação alérgica.

O que fazer

Hoje vivemos em um mundo poluído, sujo e como muitos alimentos industrializados. As reações alérgicas, na maioria das vezes, se tornam rotina em nossas vidas.

Se a criança apresentar alergias de pele, pense o que foi mudado em seu dia a dia, se mudou o sabão que lava as suas roupas, se comeu algo diferente etc. Após feito isso, anote o que você acha que é o causador e então procure um o pediatra para ele medicar adequadamente.

Sintomas de reações mais graves, como inchaço, dificuldade em respirar ou ficar totalmente sem ar, são apresentados na hora que a criança entra em contato como o causador da alergia; nestes casos, o ideal é pedir para a criança tentar respirar devagar, mas se ela não conseguir, faça respiração boca a boca.

Se for bebê ou menor de 10 anos, incline a cabeça para cima, inclinando seu queixo levemente, a sua boca deve pegar a boquinha e o nariz da criança, então, respire fundo e aplique as ventilações, duas seguidas, com uma pequena pausa entre elas. O importante é que o ar entre em seus pulmões, mas não precisa ser forte e nem rápido, ainda mais se for um bebê. (Essa manobra também serve para casos de afogamento)

Mantenha a calma, chame ou peça para alguém chamar, o mais rápido possível, ajuda. Quando a ajuda médica chegar fale com calma o que a criança ingeriu ou com que entrou em contato para que o médico saiba agir o mais rápido possível.  

3 – Queimadura e choque

Mesmo que você não deixe seu filho perto do fogo, ele pode se queimar de diversas formas, por exemplo, com bolsinhas de água quente quando ele for um bebê, ou com tomadas ou equipamentos eletrônicos, quando começar a engatinhar, ou até mesmo depois que está maior, porque é muito curioso.

O que fazer

Nunca coloque pasta de dente ou outra substância na queimadura, pode ocorrer uma lesão maior.

Sendo leve, é importante resfriar a região afetada o mais rápido possível para que a queimadura não atinja outras áreas, aplicando compressas frias ou água.

Se aparecer bolhas, não faça nada, não estoure a bolha, só o médico pode analisar e indicar a pomada específica no caso.

O ideal é ir até um pronto atendimento sem nada na pele, para que o médico saiba avaliar o grau da queimadura e ser prescrito o medicamento e curativo ideal, pois cada queimadura é diferente da outra e precisa ser avaliada.

Não se esqueça de falar como queimou, qual tipo de substância caiu na pele ou se entrou em contato com algum equipamento, isso ajuda na hora que o médico for dar o tratamento.

Em casos mais graves, quando a roupa da criança pegar fogo, um tecido grosso, como de toalha ou cobertor, deve apagar o fogo até o resgate chegar. Se a roupa grudar no corpo não tente mexer, deixe para o resgate.

4 – Quebrou o dentinho

Tente perceber se o dente quebrou perto da gengiva ou foi somente uma lasquinha do dente.

O que fazer

Primeiramente, lave a boca da criança, parando o sangramento, veja o que realmente aconteceu, se quebrou muito próximo a gengiva deve ser levado ao dentista para avaliação, até mesmo para ser medicado para não ficar com dor.

Se tirou somente uma lasquinha, observe se com o passar das horas ou dias o dente não começa a escurecer, então, leve-a ao dentista, pois pode ser que esteja tendo um pequeno sangramento que só é reconhecido após um tempo.

Há casos em que o dente sai inteiro da boca, nesse caso, lave o dente e leve-o ao consultório mergulhado em leite puro.

Há outros casos de o dente entrar na gengiva (intrusão dental), o que pode causar risco ao dente permanente que está em formação abaixo do de leite. Somente uma radiografia ou tomografia dentária poderão mensurar melhor a lesão.

5 – Nariz sangrando

Normalmente, o sangramento de nariz é assustador, principalmente para a criança. Mais uma vez entra a importância de estar tranquila(o) para ajudar sua criança.

Quando escorre aquele sanguinho do nariz de seu filho pode não ser nada, como também pode ser sinal de algo mais grave. Isso ocorre porque a nossa face é muito vascularizada com muitas veias e capilares que podem se romper facilmente, saindo muito sangue e demorando um pouco para cessar.

Pode ocorrer por vários motivos, como tempo seco, sinusite, alergias, uso de medicamentos, resfriados, desvio de septo, corpo estranho dentro do nariz, rinite ou traumas.

O que fazer

Primeiramente, observe se sua criança está passando por alguma situação citada anteriormente, quanto tempo dura este sangramento ou quantas vezes está ocorrendo, anote, pois isso ajudará muito o médico otorrino a pedir exames ou chegar a um tratamento.

Na hora do sangramento, incline a cabeça da criança levemente para frente (e não para trás, como muitos ainda fazem) e, com um dedo, faça uma pressão, por 10 minutos na narina que está sangrando, após esse tempo, solte. Se parar o sangramento, lave o nariz com soro se necessário. Se o sangramento não parar, pegue um pedaço de gelo envolva em um pano e faça a mesma pressão feita com o dedo por 10 minutos e solte.

Caso o sangramento continuar por mais de 30 minutos, leve a criança para um pronto atendimento, lembrando que não se deve inclinar a cabeça para trás ou colocar algo dentro do nariz, como gases ou cotonetes.

6 – Fratura

Os principais sintomas são dores intensas, dificuldade de se mexer, inchaço e manchas roxas no local. Quando a fratura for grave, dá até para ver alguma deformação na região, como um desvio no osso que antes era retinho.

O que fazer

Com fratura, o melhor a se fazer é chamar o SAMU. Não mexa na criança, pois não sabemos como está a fratura, correndo o risco de soltar pedaços de ossos ou gordura na corrente sanguínea, que podem virar um trombo (coágulo em vaso sanguíneo), entupindo e virando uma embolia, podendo até mesmo causar a morte.

Então, sempre chame ajuda especializada para que seja feita a imobilização correta do local que está a fratura.

7 – Lesão ocular

Se você perceber que o seu filho anda esfregando muito o olho ou que está com dor na região, procure ver se tem alguma região vermelha ou algum “rasgadinho” no canto do olho. O que ocorre com maior frequência é a presença de algum objeto estranho como areia ou outra coisa trazida pelo vento.

O que fazer

Não deixe a criança esfregar os olhos. Lave suavemente seus olhos com água corrente, observando se tem algo diferente como corte ou irritação, se visualizar o objeto no olho não tente retirar com pinças, cotonetes ou outro objeto, faça um tampão e procure o pronto atendimento.

Normalmente se o olho está irritado, a criança nem vai conseguir abrir o olho direito, vá lavando delicadamente e assim que ela conseguir abrir, observe e pergunte para a criança se está vendo bem.

Se sua criança ainda não fala, coloque algo na sua frente e peça para ela pegar. Se a criança não pegar ou se você perceber que há alguma lesão, não passe nada. Apenas lave, coloque um pano limpo ou tampão e procure um médico rapidamente.

8 – Engasgo/Sufocamento

Nunca dê para a sua criança alguma comida que ela não sabe mastigar corretamente, observe se está mastigando bem. Caso ainda não tenha dentinhos, cozinhe bem os alimentos e evite deixá-la com qualquer alimento em suas mãos, que possa sair pedaços grandes e sempre esteja próxima para observar como sua criança está comendo.

Não deixe sua criança brincar com brinquedos que tenham peças que se soltem ou peças pequenas quando estão na fase de colocarem tudo na boca.

Se acontecer de ela se sufocar com um objeto estranho, ela pode simplesmente tossir muito, mas continuar respirando, e tossir deve ser estimulado, a tosse é positiva, pois está tentando expulsar o objeto.

Se ela estiver com dificuldade para respirar, não estiver conseguindo tossir, mudar de cor e as mais crescidinhas ficarem colocando a mão na garganta, ela pode estar com uma obstrução total e aí o atendimento precisa ser imediato assim como pedir ajuda ao SAMU.

O que fazer

Mesmo se com toda essa supervisão acontecer o inesperado, mantenha a calma, não tente retirar o objeto ou pedaço de comida com o dedo pois ele pode pode ir mais fundo.

Nunca peça para que a criança levante os braços ou coloque a cabeça para trás, isso só piorará.

Se for bebê, coloque ele virado de barriga para baixo, sobre suas pernas, com a cabeça voltada para o chão, mais baixa que o tronco, e com a palma da mão pressione as costas continuamente, até que a criança pare de tossir ou volte a respirar normalmente.

Se for criança maior de 1 ano, abrace-a por trás, por baixo das axilas. Incline-a um pouco pra frente, coloque suas mãos em cima do estômago (abaixo das costelas na linha do umbigo), uma mão deve estar com o punho fechado e a outra, espalmada, cobrindo a outra. Comprima as mãos, com movimentos fortes e repetitivos, no sentido de baixo para cima, até deslocar o corpo estranho da via aérea para a boca, repita até a criança voltar ao normal. Se conseguir ver o objeto estranho na boca, retire-o cuidadosamente.

9 – Intoxicação

Os sintomas vão depender do que sua criança ingeriu. Geralmente podem aparecer queimaduras na boca, dificuldades respiratórias, sonolência e vômitos.

O que fazer

Tente achar o que a criança ingeriu ou inalou, para que o médico saiba a quantidade e o conteúdo ingerido. Isso vai ajudar a definir o tratamento que dará à sua criança.

10 – Corte

Pode ocorrer por vários motivos, como quedas ou brincar com objetos cortantes. Fique sempre atenta com que a sua criança brinca.

O que fazer

Quando ocorre o corte normalmente nos assustamos, mas lembre-se que a tranquilidade é muito importante para agirmos corretamente e acalmarmos a criança.

Dependendo do local e a profundidade do corte pode sangrar muito. O que devemos fazer imediatamente é lavar com água corrente e sabão neutro, de preferência antisséptico.

Depois de limpo, verifique a profundidade deste corte, se for profundo, deve ser levado ao pronto atendimento para que seja suturado (pontinhos no local), se não estiver tão profundo e já não sangrar mais, faça um curativo adesivo (Band-aid), trocando o curativo quando necessário e deixe até começar a juntar a famosa “casquinha” que a criança adora cutucar. Explique que não pode para curar mais rápido e a pele crescer bonita novamente.

kit de primeiros socorros

É sempre importante manter um kit de primeiros socorros em casa e no carro. Ele vai ajudar nos procedimentos até a chegada de um atendimento médico especializado.

Os principais itens são:

  • Pinça;
  • Tesoura sem ponta;
  • Luvas de procedimento;
  • Gazes;
  • Esparadrapos;
  • Micropore;
  • Algodão;
  • Hastes de algodão;
  • Atadura de crepe;
  • Soro fisiológico (após aberto deve ser conservado em geladeira);
  • Solução iodada;
  • Água oxigenada;
  • Álcool 70;
  • Bolsa para água quente;
  • Sabão líquido neutro (antisséptico);
  • Termômetro;
  • Repelente de insetos;
  • Protetor solar.

Para amenizar os efeitos de um acidente com nossos pequenos, a primeira coisa é não se desesperar e tentar resolver o problema da melhor maneira possível para que a criança não sofra.

Se os pais mantiverem a calma, a criança se sentirá mais segura. Nós não podemos prever o que pode acontecer com nossos filhos, por mais cuidadosos que possamos ser, por isso, saber o que fazer e ter um kit sempre a postos é essencial.


E você, já passou por algum apuro com sua criança que não sabia o que fazer? Conseguiu manter a calma? Qual foi sua primeira atitude? Compartilhe conosco sua experiência.

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