Descubra as principais diferenças entre o baby blues e a depressão pós-parto

Logo que um bebê nasce, nasce também um misto de sentimentos dentro de uma mãe. São tantas coisas que não conseguimos definir o que sentimos.

Sentimentos como angústia e tristeza são normais nesta fase, quando o momento era para ser de alegria e realização, é uma fase de total contradição. Porque as primeiras semanas são estressantes, não importa o quanto desejamos e amamos aquele bebê.

Podemos responsabilizar os nossos hormônios como os principais responsáveis por essa mudança e confusão de sentimentos. Assim como a privação de sono, as mudanças na rotina e a falta de tempo para si mesma.

No período pós-parto, chamado puerpério, ocorrem intensas modificações físicas e psicológicas nas mulheres. O que contribui pelo aumento da insegurança da mãe ao cuidar de seu bebê e mantê-lo saudável. Portanto, não é nenhuma surpresa que muitas mamães tenham sintomas depressivos.

Se você está passando ou já passou por isso, não se preocupe, casos como esses são mais comuns que você possa imaginar.

Nesse período, até 80% das mulheres vivem a disforia puerperal, mais conhecida como baby blues, e 13%, a depressão pós-parto (Paediatrics & Child Health, 2004). Claro que outras doenças psiquiátricas também podem aparecer como psicose puerperal, transtorno obsessivo compulsivo e diversas manias.

Por isso, é muito importante que a família fique bem atenta para notar o comportamento da mulher e poder dar um suporte quando for necessário.

Mas, neste artigo de hoje, vamos falar dos mais comuns: o baby blues e a depressão pós-parto.

Qual é a diferença entre o baby blues e depressão pós-parto?

Baby blues

Até pouco tempo atrás nem ouvíamos falar do baby blues, mas ele é bem comum nas mulheres que acabaram de dar à luz. Ele é caracterizado por uma melancolia ocasionada exclusivamente pelas alterações hormonais que acontece com a mulher logo após o parto, principalmente quando a produção de leite se inicia e os hormônios que estavam relacionados à gravidez começam a mudar.

Pesquisas feitas com mães que acabaram de ganhar seus bebês, apontam que o baby blues afeta de 52 a 80% das novas mamães em um curto período de tempo. Os principais sintomas são:

  • choro constante ou sem razão aparente;
  • impaciência;
  • irritabilidade;
  • inquietação;
  • ansiedade em relação ao bebê;
  • fadiga permanente;
  • insônia (mesmo quando o bebê está dormindo);
  • tristeza;
  • vontade de sumir;
  • mudança de humor;
  • falta de concentração.

Uma das maiores diferenças entre o baby blues e a depressão pós-parto é que o primeiro é temporário e em um curto espaço de tempo esses sintomas vão embora, sem ter que fazer qualquer tipo de tratamento.

Os sintomas começam a aparecer em torno de 5 dias após o parto e acaba, aproximadamente, em menos de 1 mês após o nascimento do bebê. Tem mulheres que sentem esses sintomas por apenas alguns dias, outras, levam uma semana, vai depender de cada pessoa. Os sintomas vão acabando conforme a mamãe vai se acostumando com a nova rotina e com os cuidados do novo membro da família.

As mulheres costumam se sentir muito culpada por terem esse tipo de pensamento. A dra. Samantha Meltzer-Brody, professora e diretora do Perinatal Psychiatry Program, UNC Center for Women’s Mood Disorders, acha que ainda há um estigma associado ao admitir que você está se sentindo triste depois que você acabou de dar à luz um bebê, o que pode prejudicar ainda mais o quadro.


Minha experiência com o baby blues

“Parecia que meus dias eram sempre os mesmos, sentada naquela poltrona de amamentação, nada mudava, e recordo-me de chorar muito olhando para aquela bebê diante de tantos novos desafios e responsabilidades…”

Quando tive minha primeira filha, em 2010, lembro-me de ter vivenciado muitos desses sentimentos e sintomas e, na época, não sabia que isso tinha nome, não sabia porque me sentia tão triste, não contava pra ninguém porque me culpava por ter esses sentimentos, dizia que estava cansada, e as pessoas achavam que era só isso mesmo, normal.

Realmente o baby blues é comum mesmo e não há muito com o que se preocupar, mas entender sobre isso e conversar poderiam ter me ajudado a passar melhor pelo puerpério. Mas, assim como essas emoções vieram, passaram rápido, tanto é que nem me recordo quando…

Acredito que o que me ajudou muito foi ter uma marido muito presente, que me ajudou com todos os cuidados da bebê, o que me dava alguns minutos a mais de descanso.

Com a minha segunda filha, já foi mais tranquilo, estava mais segura com os cuidados, não eram tantas novidades como foi com a primeira filha, fora que agora tinha responsabilidades com duas crianças pequenas. Não sei se há uma ocorrência maior do baby blues com mães de primeira viagem. Faz sentido.


Depressão pós-parto

Um pouco mais preocupante que o baby blues, também costuma atingir um grande números de mulheres no pós-parto.

Embora muitas pessoas confundem os sintomas da depressão pós-parto com o baby blues, os dois quadros são diferentes.

Pode acontecer no primeiro mês, mas também em qualquer momento durante o primeiro ano do bebê.

Não há uma explicação muito clara e estudos muito conclusivos sobre o motivo que leva a uma depressão pós-parto, mas especialistas acreditam que seja em razão de uma combinação de fatores hormonais, ambientais, psicológicos e genéticos.

Entretanto há alguns motivos que parecem aumentar essa propensão à depressão: mães que já tinham alguns antecedentes de manifestações de doenças mentais e traumas vividos antes ou durante a gravidez, como um assalto, um acidente, uma perda ou separação. Uma falta de estrutura emocional para lidar com dificuldades que surgiram durante a gestação, e já estavam deprimidas durante a gravidez, também pode desencadear uma depressão pós-parto.

Os sintomas encontrados nas mães acometidas pela depressão são os mesmos das que tiveram o baby blues; porém, podem ser acrescidos sintomas mais graves:

  • falta de vontade de viver;
  • sensação de que o bebê é um estranho, que não é seu filho;
  • não consegue se divertir com nada;
  • sensação de que não há nada de bom;
  • manifestação de desejo de se matar;
  • vontade de agredir a criança ou até a si mesma em certos momentos.

Neste caso ela vai precisar de muito mais apoio do que paciência, pois ela provavelmente vai ter que fazer um tratamento com um médico psiquiatra e tomar medicamentos.

Uma mulher com depressão pós-parto pode se sentir incapaz de ter vínculo afetivo com o seu bebê e entrar em uma ansiedade fora do controle, a impedindo de dormir (mesmo que o bebê durma) ou de se alimentar de uma forma adequada. Ela pode encontrar sentimentos de culpa ou inutilidade, pensando muitas vezes na morte.

Existe uma escala de depressão pós-parto, chamada de Edimburgo, que serve de ferramenta para diagnosticar a doença. Ela foi desenhada para complementar, não para substituir, a avaliação clínica. Uma pontuação de 12 ou mais indica a probabilidade de depressão, mas não a sua gravidade. Sugere-se uma avaliação mais completa do seu problema.

Tem como evitar?

Como o baby blues é ocasionado por hormônios, infelizmente não tem como evitar e nem prevenir. É como uma TPM, algumas mulheres têm sintomas e outras não. O que você pode fazer é buscar informações antes, durante e depois da gestação, para saber como lidar melhor com os sintomas. É bem importante deixar a família ciente do que pode acontecer, para eles saberem como ajudar e te apoiar neste momento.

Já a depressão pós-parto pode e deve ser evitada. Se a mãe já sofreu algum problema que pode desencadear a doença é importante passar para o obstetra que está acompanhando o pré-natal para que ele possa acompanhar possíveis alterações de comportamento durante a gestação e depois que o bebê nascer para uma intervenção precoce.

Como prevenir a depressão pós-parto?

Para o baby blues não há prevenção, penso que são sentimentos que fazem parte da maternidade, como um “batismo” a ela, você pode sim, se previnir para as mudanças, entender que são normais e aceitá-las quando surgirem, estando consciente que vão passar.

Então, vamos direto à depressão. O que podemos fazer para evitar que isso aconteça.

* Busque suporte 

Somo seres sociáveis e precisamos desse contato social positivo para aliviar o estresse mais rápido e com mais eficácia. Nos dias de hoje, muitas mães se encontram sozinhas, exaustas e solitárias, ela precisa ter contato com outras pessoas e receber carinho de pessoas queridas. Grupos de mães online também costumam ajudar a não se sentir sozinha nesse momento.

* Busque ajuda aos primeiros sinais

A ajuda e acompanhamento profissional aos primeiros sinais de que há sintomas de depressão, mesmo leves. Eles costumam acontecer no primeiro e no terceiro trimestre da gravidez.

* Cuide-se

Uma das melhores coisas que você pode fazer para evitar a depressão pós-parto é cuidar de si mesma. Quanto mais você se importar com o seu bem-estar mental e físico, melhor você irá se sentir. Algumas mudanças no estilo de vida podem ser suficientes para você sentir melhor.

* Cuide do relacionamento com o seu companheiro

Você sabia que mais da metade de todos os divórcios ocorrem após o nascimento de uma criança. As demandas e as necessidades de um bebê fazem com que os casais comecem a se afastar.

Para que isso não aconteça, procure manter uma linha de comunicação aberta entre vocês dois, conversando bastante e explicando tudo que você sente e precisa.

Muitas vezes também a mãe acha que não tem ajuda do parceiro, mas ela que pode não estar deixando o pai ajudar do jeito dele. Deixe o pai a sós com seu bebê, sem sua supervisão constante. Deixe-o ser pai. Não o exclua da relação.

Alguns minutos do dia para dar atenção à sua vida conjugal e ao seu parceiro, também são importantes. Alguns pais se sentem um pouco diferentes e estranham as mudanças também, podendo até desenvolver algum nível de depressão.


Curiosidade:

A depressão paterna existe sim e pode ter características semelhantes a da materna. Um estudo publicado no Journal of American Medical Association revelou que cerca de 10% dos pais sofrem depressão após o nascimento do bebê, até 3 a 6 meses.

No meu treinamento Fada do sono, recebo inúmeros desabafos de mães relatam que o pai tem medo de voltar para casa ou parecem que não estão presentes na casa por não saberem como lidar com o bebê e a nova rotina, principalmente após o nascimento do primeiro filho. A sociedade e a própria esposa podem julgá-lo de outra maneira diante desse comportamento. Mas pode existir sim um problema mais sério que ele não consegue controlar sozinho e que poderia ser evitado e resolvido com diálogo entre o casal e/ou ajuda profissional.


Mas o que fazer se você está com baby blues ou com depressão pós-parto?

O primeiro passo, tanto para a mãe, quanto para as pessoas que a cercam, é entender que esta reação está longe de ser uma frescura ou uma fraqueza da mãe, pois é uma fase bem complicada para todo mundo.

O baby blues não precisa ser tratado com remédios e terapias, apenas com muita atenção e paciência com a nova mamãe. Ela mesmo vai ter que ser mais compreensiva consigo mesma. Tente acalmar os ânimos que logo logo vai passar. Já adianto que conselhos não funcionam muito bem nessa fase, pois é uma condição física dela e não psicológica.

A depressão pós-parto deve ser diagnosticada por um médico, pois é considerado uma doença, mas somente um especialista poderá dizer o que será melhor para você.

E se, apesar de toda ajuda que você recebeu de sua família e amigos, o fardo está muito pesado, o melhor mesmo é um tratamento profissional. Aqui vão algumas dicas:

* Terapia

Um bom terapeuta pode ajudá-la a lidar com êxito e te ajudar a ajustar a sua vida com a nova fase. Muitas vezes o problema não está só na chegada de um bebê, às vezes, o seu casamento já não estava indo muito bem e com a chegada da crianças as coisas foram piorando, neste caso, você pode optar por uma terapia de casais.

* Antidepressivos

Para os casos de depressão pós-parto onde você não está conseguindo se restabelecer para cuidar do seu bebê, os antidepressivos podem ser uma boa opção. No entanto, a medicação deve ser acompanhada de perto por um médico, de preferência um psicoterapeuta. 

* Tratamento hormonal

Um tratamento baseado na reposição de hormônios pode ajudar com a depressão pós-parto. O estrogénio é frequentemente utilizado em combinação com um antidepressivo. Existem riscos que acompanham a terapia hormonal, por isso não deixe de conversar com seu médico sobre o que é melhor – e mais seguro – para você e para o bebê, lembrando que alguns medicamentos não devem ser administrados quando se está amamentando.


Bibliografia consultada:

Depression in pregnant women and mothers: How children are affected. Paediatrics & Child Health. 2004;9(8):584-586.

http://americanpregnancy.org/first-year-of-life/baby-blues/

Paulson JF, Bazemore SD. Prenatal and Postpartum Depression in Fathers and Its Association With Maternal DepressionA Meta-analysis. JAMA. 2010;303(19):1961-1969. doi:10.1001/jama.2010.605


Resumindo para você:

  • Logo que um bebê nasce em alguns momentos estamos felizes, em outros muito tristes, podemos responsabilizar os nossos hormônios como os principais responsáveis por essa mudança e confusão de sensações.
  • Nesse período cerca de 80% das mulheres vivem o baby blues e 13%, a depressão pós-parto.
  • Outras doenças psiquiátricas também podem aparecer como psicose puerperal, transtorno obsessivo compulsivo e diversas manias.
  • Baby blues é caracterizado por uma melancolia ocasionada exclusivamente pelas alterações hormonais que acontece com a mulher logo após o parto.
  • Um dos principais sintomas do baby blues é sentir-se chorosa, irritada e com o humor alterado.
  • Os sintomas do baby blues começam a aparecer em torno de 5 dias após o parto e acaba, aproximadamente, em menos de 1 mês após o nascimento do bebê.
  • Os sintomas vão acabando conforme a mamãe vai se acostumando com a nova rotina e com os cuidados do novo membro da família.
  • A depressão é uma doença que costuma atingir mães que já tinham alguns antecedentes de manifestações de doenças mentais e traumas vividos antes ou durante a gravidez, como um assalto, um acidente, uma perda ou separação.
  • Os sintomas da depressão pós-parto são os mesmas das que tiveram o baby blues; porém, acrescidas da falta de vontade de viver, manifestação de desejo de se matar, vontade de agredir a criança ou até a si mesma em certos momentos.
  • O baby blues é ocasionado por hormônios e infelizmente não tem como evitar e nem prevenir.
  • Já a depressão pós-parto pode e deve ser evitada.
  • Como prevenir a depressão pós parto?
    • Busque ajuda e suporte.
    • Cuide-se.
    • Cuide do relacionamento com o seu companheiro
  • O baby blues não precisa ser tratado com remédios e terapias, apenas com muita atenção e paciência com a nova mamãe.
  • A depressão pós-parto deve ser diagnosticada por um médico e você pode fazer: terapia e fazer tratamento.

Bom, acho que deu para entender um pouquinho mais sobre o baby blues e a depressão pós-parto, não é mesmo? Agora nos conte como foi na sua casa? Você se sentiu alguns sintomas e sofreu com um desses dois casos? Como contornou a situação?

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