É possível equilibrar o trabalho e um filho doente?

Filho não escolhe o dia e nem a hora para ficar doente. E não importam as condições, nunca é fácil para uma mãe. Se ela trabalha em casa ou fora, sempre vai ter que fazer algumas escolhas para que as coisas funcionem da melhor maneira. 

A mãe que trabalha fora precisa dar satisfação, conseguir atestado e ainda corre o risco de ser julgada pelo chefe e pelos colegas por não comparecer ao trabalho para cuidar de sua criança, porque ELA PRECISA DAR CONTA DE TUDO. Além disso, o filho dificilmente fica 100% em um dia e aí o dia seguinte é outro desafio.

A mãe que trabalha em casa, como eu, precisa se redobrar e se virar, porque não pode parar nada, o trabalho te segue. Mas, ao mesmo tempo, está perto de sua criança e a culpa pesa menos.

Enfim, nunca é fácil para uma mãe.

Eu não passei pela experiência de ser uma CLT e ter de me ausentar para cuidar de minhas filhas, sou daquelas que saíram e se reorganizaram profissionalmente para serem mães. Também tive a sorte de o meu marido me apoiar nesse momento de transição e ser muito presente na criação de nossas filhas.

Quando acontece de uma de minhas meninas ficar doentinha, confesso que passo o dia todo pensando nas mães que trabalham fora, em como conseguem…

Catarina, depois de voltar do pronto-socorro diagnosticada com otite, brincando de escritório do meu lado para que eu conseguisse trabalhar um pouco.

Não podemos esquecer dos pais, que hoje em dia dividem muito mais os cuidados com os filhos (clique aqui para saber mais sobre a paternidade ativa), mas ainda assim não é a realidade de muitas mães brasileiras…

Aqui também não é a Dinamarca, em que empresas e governo incentivam o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, tanto para o pai quanto para a mãe, as mães ainda carregam a maior responsabilidade e são as mais prejudicadas.

Esse deve ser um dos motivos de os dinamarqueses serem considerados o povo mais feliz do mundo.

Estamos no Brasil e, infelizmente, não contamos com incentivo para encontrarmos esse equilíbrio…

Quando mais homens passarem a participar mais da criação dos filhos, quando todos forem a favor de mudanças, pode ser que as mudanças políticas aconteçam.

Seus direitos hoje

As ausências justificadas pela Consolidação da Legislação Trabalhista (CLT), e que estão listadas no artigo 473, não contemplam a ausência para acompanhamento de filho menor ao médico.  

Entretanto, o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) diz que é dever do tutor, pai, mãe ou responsável dar assistência aos filhos nos casos de internação de criança ou adolescente.

O Tribunal Superior do Trabalho (TST), por meio do Precedente Normativo n. 95 aplica essa situação do seguinte modo:

“Assegura-se o direito à ausência remunerada de 1 (um) dia por semestre ao empregado, para levar ao médico filho menor ou dependente previdenciário de até 6 (seis) anos de idade, mediante comprovação no prazo de 48 (quarenta e oito) horas”.

Complicado, não é mesmo? Porque o seu filho de mais de 6 anos ainda é uma criança e é impossível mensurar quantas vezes ele ficará doente ou precisará ir ao médico, duas vezes é muito pouco…

Políticas das empresas

Algumas empresas adotam políticas internas para abonos de faltas ou usam normas coletivas de trabalho, para tentar disciplinar essa incongruência, de qualquer forma, sempre há um limite.

O melhor seria as empresas usarem o bom senso, fazendo com que essa mãe compense as horas de ausência em outro dia ou que possa levar trabalho para casa para não sofrer prejuízos no salário e nem correr o risco de ser demitida por este tipo de falta.

Mas sabemos que o bom senso nem sempre é adotado e, o que acontece muito, são mães deixando seus empregos para poderem cuidar de seus filhos.

Se você precisa ficar em casa para cuidar de sua criança doente, informe seu chefe imediatamente, conte-lhe os fatos e como você planeja cobrir o trabalho.

Se desconhece as políticas da empresa, agende um bate-papo com seu chefe antes que seu filho fique doente, veja até que ponto a empresa pode ser flexível.

Se tanto a empresa que você trabalha quanto a do pai não são muito flexíveis a ausências para cuidar do filho que não está bem, ter uma rede de apoio é necessário, avós, tias, madrinhas, babá… pedir ajuda não deve ser uma vergonha para uma mãe, nunca.

E continue na luta, pai e mãe precisam ter voz ativa lutando por mudanças na legislação e/ou na postura da empresa em relação aos direitos pelos cuidados com os filhos, ou até mesmo um dos dois repensar em se recolocar em alguma empresa mais flexível à rotina de funcionários que são pais.

Conhecer a política da escolinha também é importante, pois muitas escolas não aceitam ficar com crianças com febre, mesmo baixa, e não estão mais medicando sem receita médica.

Saber tudo isso com antecedência e informar seu superior dessas possibilidades de ausências é muito prudente de sua parte.

Sua criança está realmente doente

Muitos pais ou cuidadores/escolinhas podem se desesperar a qualquer sinal que a criança possa não estar bem. Um estudo publicado na revista Pediatrics descobriu que 57% das crianças “doentes” foram enviadas para casa desnecessariamente.

Sua criança pode fazer xixi vermelho porque tomou ou comeu beterraba, pode vomitar por estar nervosa, pode estar com diarreia porque ingeriu certo alimento.

Por isso é importante sempre manter um contato direto, pessoalmente ou por agenda, com a escola e os cuidadores sobre esses alertas, sobre as reações de sua criança, para que ninguém tenha um susto inesperado e desnecessário.

Se sua criança é maiorzinha, preste atenção porque ela pode dizer que está com dor em algum lugar para chamar sua atenção e querer ficar em casa com você.

Não fique brava, ela pode estar carente, precisando um pouco mais de sua atenção, pode ser um alerta para você. Talvez rever se está dando atenção suficiente para ela quando pode ou se não está deixando de ter um momento especial e importante com ela para realizar outras tarefas que poderiam esperar.

Tente investigar se é verdade, analise o que pode fazer e prometa fazer algo legal com sua criança depois, como assistirem um filme com pipoca e abraçadinhas quando voltarem para casa.

Como investigar

  1. Há sintomas de algo para ficar alerta: dormiu mal, teve febre, diarreia, comeu mal, está muito amuada…
  2. Aconteceu algo na escola que a está deixando triste.
  3. Se tem mais de 7 anos: há prova no dia?
  4. Reclamou de dor num local e depois mudou de lado ou depois de uns minutos estava fazendo alguma estripulia que com dor não seria possível?

Mesmo tendo apoio da família, do marido, a criança exige mais a presença da mãe.

Porque nem sempre é necessário estar muito doente ou ter de ir ao hospital para o seu filho precisar de sua presença, se estão desconfortáveis com algo, querem a mãe e a atenção e o carinho são os melhores remédios.

Nesta sociedade em que vivemos nunca é fácil para uma mãe encontrar um equilíbrio entre a vida profissional e as obrigações maternas, mas precisamos continuar lutando pelo equilíbrio e pelos nossos direitos, para que possamos ser mães e não mais excluídas da sociedade ou mal vistas quando tentamos apenas usar o direito de ser mãe.


Conte-nos sua experiência. Conseguiu encontrar um equilíbrio entre sua vida profissional e os cuidados com sua criança? E o pai de sua criança?

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