Saiba quando e como fazer a introdução alimentar no seu bebê

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Já sabemos e estamos conscientes da importância do aleitamento materno para a mãe e para a criança nos primeiros meses de vida, que ele é o alimento que melhor se adequa às necessidades nutricionais do seu bebê, não é mesmo?

Ok! Mas também sabemos que nem sempre a mãe consegue amamentar em razão de tantos outros fatores que não vamos discutir neste momento. O mais importante de tudo é que sempre procuramos fazer o melhor para nossa criança.

Mas chega um momento em que o aleitamento materno ou artificial já não é mais suficiente e precisamos introduzir outros alimentos para sustentar melhor nossa criança. Aí pode bater um desespero, era tudo tão simples, só dar o peito ou fazer a mamadeira… e agora???

Esse é um dos maiores desafios para as mães. E este é o assunto que quero abordar com vocês neste artigo: a introdução alimentar. 

Vamos ver, no decorrer deste texto, quando começar, como começar, o que dar e o que não dar para o seu bebê comer.

Legal, né? 🙂

Os pediatras costumam sugerir a introdução alimentar no início dos 6 meses de idade, pois o sistema digestivo já estará mais maduro e o organismo mais forte para enfrentar eventuais infecções ou alergias que os novos alimentos possam causar em seu bebê.

Muitos bebês até começam com esse processo um pouco antes, lá pelos 4 meses, pois há as mães que precisam se preparar para voltar ao trabalho e ficarão um longo período longe de seus bebês, então alguns pediatras recomendam a introdução já antes de a Licença Maternidade terminar.

O que sabemos é que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que isso seja feito após os 6 meses, que até lá o aleitamento materno seja exclusivo; porém, um levantamento realizado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos mostrou que 40% dos pais já estão oferecendo os alimentos antes mesmo dos 4 meses de vida da criança. 

As principais justificativas não são a Licença Maternidade, até porque lá é bem diferente daqui do Brasil, eles falam coisas do tipo: o bebê está com fome, o bebê ficou com vontade de comer minha comida, a comida ajuda o bebê a dormir, ou, o médico orientou assim. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo alertaram para o fato de que os amigos e parentes acabam influenciando as decisões das mães também na alimentação infantil.

Sabe aquela história que a vizinha fala, ou a sogra, ou a sua mãe, ou sua vó… sempre tem alguém para dar palpite: “Meu filho sempre tomou chazinho antes de dormir”, “Na minha casa já comecei com caldinho de feijão”, “Essa criança já tem idade para tomar suco de fruta”. Realmente, você acaba ficando na dúvida do que fazer.

A questão é: 

Como saber se seu bebê está preparado para receber alimentos sólidos? 

Primeiro, o pediatra deve avaliar o melhor momento, depois vou levantar algumas questões para você observar e te deixar mais tranquila na decisão.

1 – Ele mantém a cabeça erguida?

O bebê precisa manter a cabeça erguida continuamente para que possa ser alimentado com uma colher. O controle da cabeça começa a apresentar grande evolução a partir de 3 a 4 meses.

2 – Consegue se sentar sozinho?

No início, ele vai precisar de apoio para se sentar, o próprio carrinho pode ser uma boa alternativa, mas o melhor é o cadeirão com cinto de segurança. A habilidade de o bebê sentar e se apoiar sozinho ocorre entre 5 e 7 meses.

3 – Não coloca mais a língua para fora?

O reflexo de não colocar mais a língua para fora da boca impede que os bebês se engasguem na hora de comer. Eles costumam colocar a língua quando alguma coisa mais dura é colocada dentro da sua boca. Por volta de 4 a 6 meses, o reflexo vai desaparecendo, indicando que eles já estão prontos para experimentar os alimentos macios e pastosos.

4 – Faz movimento de mastigar?

Os bebês precisam aprender a movimentar a comida para o fundo da boca para conseguir engolir. A medida que eles vão engolindo melhor, a baba vai diminuindo.

Aos 6 meses é provável que já tenha nascido o primeiro dentinho, mas lembre-se que isso não é essencial para o início da alimentação, pois muitos bebês mastigam com a gengiva, o que é essencial também para o fortalecimento do músculo orofacial. 

5 – Fica curioso com o que os outros comem?

De repente você percebe que sua criança fica de olho no seu prato e de todas as pessoas da mesa e, ainda, estende a mão para tentar pegar a comida. O paladar do bebê estará mais apto a descobrir novos sabores a partir do 6º mês e é quando ele passará a querer te imitar também. Mas atenção, isso não quer dizer que você deva dar a ele tudo que o que ele pede e deseja comer, principalmente os bebês com menos de 1 ano de idade. Vá com calma e siga a orientação do pediatra.

Se a sua criança já está conseguindo fazer tudo isso, ela provavelmente estará prontinha para começar a introdução alimentar. 

Agora vamos dar uma olhadinha em que tipo de comida podemos começar esta introdução alimentar. 

O que dar primeiro? O que evitar? Quais são as refeições?

Em geral, os pediatras costumam sugerir frutas, em forma de papinhas, para iniciar as comidinhas. Os sucos tem sido descartados pela maioria, pois, em 2012, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) entrou em um consenso: crianças não devem ingerir sucos de frutas, em especial aquelas menores de 1 ano.

Isso porque as frutas possuem mais fibras e vitaminas do os sucos, além de estimularem a mastigação. Mas não é só isso, um dos principais motivos da troca do suco pela fruta é reduzir a ingestão de calorias e evitar a obesidade infantil, já que para se fazer um copinho de suco de laranja, por exemplo, utiliza-se 2 ou 3 laranjas.

Mas oferecer uma vez ou outra não há problema, é que há mães que exageram na oferta. Ofereça depois das refeições para melhorar a absorção do ferro dos alimentos ingeridos, mas só a fruta também já faz isso. E não preciso nem dizer que os sucos industrializados e artificiais não substituem o natural e não são recomendados. 

Mas então vamos lá, como começar a introdução alimentar? 

Lembrando que a rotina alimentar que seu pediatra passar deve ser levada em consideração primeiro, ele que sabe, a partir do histórico de seu bebê, o que é melhor para ele, aqui há mais uma orientação geral, ok?

  1. Comece a oferecer as papinhas de frutas ou no meio da manhã ou no meio da tarde, e continue com o leite. Observe se ele vai reagir bem e se o intestino irá funcionar normalmente. Tente repetir a mesma fruta por pelo menos 3 dias. Banana maçã ou prata, pera, maçã, mamão papaya, laranja, melão… são as mais doces e de mais fácil aceitação. Morango e kiwi devem ser oferecidos somente depois do oitavo ou nono mês de idade. Prefira sempre as frutas orgânicas.
  2. Depois de tudo ajustado, cerca de uma semana depois, comece a introduzir a papinha principal na hora do almoço. Prefira aqueles frescos e vá variando ao longo da semana (não esquecendo que ela precisa ser equilibrada com carboidratos, legumes, verduras e proteínas de origem animal e vegetal). Durante o preparo, prefira adicionar muito pouco sal ou não adicionar, e nem produtos industrializados, apenas o sabor natural dos alimentos. Uma boa dica dos nutricionistas é usar ervas naturais, como salsinha, cebolinha, manjericão e orégano, cortadas em pedaços bem pequenos, para serem mastigados facilmente. Temperos fortes como pimenta e curry, açafrão e páprica devem ser evitados até pelo menos 2 anos de idade. Peixes como os pescados, podem e devem estar na papinha de seu bebê, desfiado em pedaços bem pequenos. Apenas mantenha fora do cardápio de seu bebê os frutos do mar, que só devem ser oferecidos após 1 anos de idade e com orientação do pediatra.
  3. Aqui você pode começar a introduzir a água mineral, mas de forma moderada, para ajudar no processamento do alimento. Após 1 ano deve ser oferecida em livre demanda. 
  4. Quando a criança já estiver habituada a esta nova rotina e já gostando dos novos sabores, em cerca de mais uma semaninha, é hora de introduzir a papinha principal também no jantar e a oferta da fruta pode acontecer no meio da manhã e da tarde.
  5. Tente não oferecer o leite duas horas antes da refeição e em até uma hora depois, para que ele chegue nela com fome e não perceba que a refeição pode ser substituída facilmente pelo leite. Mas perceba que o leite não deve sair de sua rotina, a oferta dele só fica mais espaçada porque os outros alimentos precisam de espaço para entrar.
  6. Aos 7 meses, você já pode introduzir a gema do ovo, mas oferecendo aos pouquinhos, começando com 1/4 da gema misturada na papinha.

Lembre-se que essa rotina vai depender de cada criança, então aos poucos vocês vão se acostumando com os novos sabores e conhecendo as quantidades e tamanho do prato de cada refeição.

As crianças, assim como os adultos, também terão as suas preferências, mas elas só vão gostar daquilo que experimentar e que lhe for oferecido. Por isso, ofereça alimentos variados, mas insista no mesmo de 8 a 10 vezes antes de concluir que a criança realmente não gosta dele.

Não apresse sua criança para comer, deixe ela pegar na comida, se lambuzar, brincar, também faz parte do processo de conhecer a comida, não se estresse e tenha bom humor. 😉

Algumas crianças comem mais do que as outras, por isso não existe uma quantidade certa. Nutricionistas especializados em alimentação infantil, sugerem a seguinte referência:

  • dos 7 aos 9 meses: de quatro colheres (das de sopa) a uma xícara;
  • dos 10 aos 12 meses: uma xícara cheia;
  • de 1 a 3 anos: um prato infantil completo.

Mas, no começo, você não deve ter esse tipo de preocupação, deve ir aumentando a quantidade gradativamente. Nunca force a criança a comer. As refeições devem ser momentos tranquilos.

Uma outra dúvida que as mães têm é como servir esses alimentos para a sua criança…

Cortar, amassar, triturar, servir inteiros?? Qual seria a melhor forma?

A partir dos 6 meses de idade o bebê começa a movimentar a mandíbula de um lado para o outro, como se estivesse imitando a mastigação. Mesmo que ele ainda não tenha dentinhos, procure sempre oferecer alimentos amassados e não triturados. Assim ele vai conseguir perceber as diferentes texturas e as diversas sensações que eles provocam na boca e no paladar.

No período em que estão nascendo os dentes, você pode optar por alimentos um pouco mais consistentes para que possa ajudar no incômodo desta fase, pois ajudarão a massagear a gengiva e incentivar a mastigação. Mas não esqueça de ficar atenta para que ele não se engasgue, procure ficar sempre perto neste início.

E o leite como fica nessa fase? Será que devemos parar com as mamadas?

Não, você não deve parar com o leite! Se você ainda estiver amamentando, pode continuar com, no mínimo, duas mamadas por dia. Se for na mamadeira, o ideal para essa idade é no mínimo 600 mL de leite por dia e com mais de 1 ano ele ainda deve estar tomando 500 mL por dia.

Lembrando que a oferta do leite de vaca, só pode ser oferecida após 2 ano de idade e sempre com orientação do pediatra.


Resumindo para você:

  • Pediatras recomendam a introdução alimentar no início dos 6 meses de idade.
  • Como saber se sua criança está preparada para receber alimentos sólidos: Ela mantém a cabeça erguida? Senta-se bem quando está apoiado? Não coloca mais a língua para fora? Faz movimento de mastigar? Fica curioso com o que os outros comem? 
  • Os pediatras costumam sugerir as frutas para iniciar as comidinhas.
  • Aos poucos as papinhas vão sendo introduzidas.
  • Mesmo que ele ainda não tenha dentinhos, procure sempre oferecer alimentos amassados e não triturados, para que ele consiga perceber as diferentes texturas e as diversas sensações que eles provocam na boca e no paladar.
  • Você não deve parar de dar leite para o seu bebê, ele deve ser intercalado com as frutas e as papinhas principais.

Aqui entra novamente o nosso mantra materno: paciência, amor e persistência! Isso fará toda a diferença na introdução alimentar de seu bebê.

E como está na sua casa? Já foi iniciado a introdução alimentar? A sua criança está aceitando todos os alimentos? Como ela está reagindo as novidades?

6 COMENTÁRIOS

  1. Minha bebe cai fazer 6 meses agora em abril a pediatra dela receitou primeiro as frutas e só com 7 meses começar com as sopas. Será se tá certo? Achei estranho.

    • Oi, querida! Se gosta de sua pediatra e confia nela, siga o que ela te passar, mas sempre questione, procure saber o porquê. Essa pode ser alinha dela. A que eu conheço é oferecer depois de 1 a 2 semanas, mas não sou especialista nisso, essa foi minha experiência. 😉

  2. Ola guta! Meu bebe adora comer,ele tem 11 meses e agora que esta gostando de frutas diferentes,alem do mamão e da banana que já comia adora comer mangas em fatias,nectarina, melancia, cada pouco dou lhe uma coisa diferente,ele nao é muito enjoado, para estas coisas,com a comida vamos bem,a única coisa que nao conseguimos acertar ainda,é o sono noturno! 🙂

  3. Oi Guta!
    Meu Enrico fará 1 ano no próximo dia 13. Ele adora olhar o que tem no prato e pegar os pedacinhos! No começo a papinha batida ajudou, eu recomendo para as mamães começarem por aí!

    • Oi, Larissa! Que fofo, parabéns!!! Então, tem de deixar pegar mesmo faz parte! 😉 Confesso que em dias mais difíceis pra minha filha comer, batia a papinha. Mas há essa orientação hoje em dia para amassar ou passar na peneira apenas e não bater, para não perder as fibras dos alimentos, incentivar a mastigação e também fazer a criança sentir o sabor de cada alimento… Obrigada por comentar, querida! Beijos

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