Tudo que você precisa saber sobre infantolatria e nunca ninguém tinha te explicado

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Olá, mamães e papais, tudo bem?

Vocês já ouviu falar no termo infantolatria?

O nome é recente, mas o problema já existe há muito tempo e vem atrapalhando o desenvolvimento e a convivência de diversas famílias.

Infantolatria é o termo usado quando os pais idolatram o filho ao extremo, de forma que ele passe a comandar todas as ações da família. Um bom exemplo que podemos usar é quando a criança já passou dos 2 anos de idade e os canais de TV que são assistidos em casa, assim como as músicas que tocam no carro, são só os que ela gosta.

Principalmente pais que passam o dia todo fora trabalhando, acabam confundindo amor com falta de limites e acabam criando filhos que podem fazer o que quiserem, comer o que quiserem, dormir a hora que quiserem… e suas vontades regem as vontades da família toda.

Claro que existe um período, quando são bebês, que eles acabam comandando a casa, a família toda se ajusta à rotina do bebê, pois são extremamente dependentes e precisam ser entendidos e atendidos. Mas, conforme essas crianças crescem, elas precisam entender que existem outras pessoas, com vontades e necessidades diferentes das delas.

Atenção pais, precisamos tomar muito cuidado! Deixar a sua criança ser o rei ou a rainha da casa poder dar a ela uma falsa sensação de poder e autonomia que, futuramente, pode vir a se tornar uma grande insegurança. Além de tantas outras consequências ruins que sua criança poderá ter, como em sua vida conjugal também.

Neste artigo, vamos entender um pouco mais sobre este assunto, o que realmente ele significa, suas consequências e como evitar este tipo de problema dentro de sua casa.


A psicanalista Marcia Neder, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da Universidade de São Paulo (Nuppe-USP), autora do livro “Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias”, da editora Zagodoni, acredita que “o processo de mudança nos conceitos de família iniciado no século 18 por Jean-Jacques Rousseau (filósofo suíço, um dos principais nomes do Iluminismo) chegou ao século 20 com a ‘religião da maternidade’, em que o bebê é um deus e a mãe, uma santa. Instituiu-se o que é uma boa mãe sob a crença de que ela é responsável e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e fará. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século 21 como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria”.

Refletindo sobre isso, na minha opinião, essa também é a semente da culpa que todas as mães carregam por acharem que nunca estão sendo suficientemente boas para seus filhos.

Mas esse é um outro assunto, que vale outro artigo só para ele. Mas vamos continuar…

Como saber se isso está acontecendo na minha casa?

Na maioria das vezes, os pais não se dão conta de que estão tratando suas crianças como reis ou rainhas e muitas vezes precisam levar um puxão de orelha. Geralmente eles só vão perceber que o problema está instalado e que isso está acontecendo na sua casa quando começa o processo de socialização. É bem importante descobrir o quanto antes, por isso vou listar algumas situações para você identificar o problema ainda no começo. A seguintes situações podem ocorrer em menor ou maior grau:

  • A criança que sempre escolhe o que a família vai assistir na televisão. Nunca ninguém consegue ver outra coisa a não ser o que ela quer.
  • Ela também decide o programa que a família via fazer no fim de semana e nas férias. Qual o restaurante que vão, o que vão comer, onde vão passear, enfim, todos os detalhes.
  • Não consegue se entender na escola com os colegas e nem com os professores, pois luta o tempo todo para que os seus desejos sejam atendidos.
  • A criança sempre escolhe o que vai vestir e o que vai comer na hora das refeições.
  • Ela não consegue lidar com o não e também não tolera nenhum tipo de frustração. Chora, faz escândalos e birras.
  • Você e seu marido não conseguem fazer mais nada daquilo que gostam em razão das exigências da sua criança.
  • A vida conjugal de vocês já está ficando abalada por causa das decisões de sua criança. Vocês deixam de ser marido e mulher pra ser apenas pai e mãe.
  • Você e seu marido não conseguem mais conversar ou ter uma relação saudável quando os filhos estão acordados, pois ela exige tanta atenção que não permite que aconteça coisas que ela não tenha participação.
  • Quando vocês percebem que está abrindo a mão dos seus sonhos, da sua vida profissional em nome daquilo que você sonha ou quer “comprar” para o seu filho.

(Para saber mais sobre regras e limites, clique aqui.)

Quais são os tipos de consequências que a infantolataria pode trazer para a minha criança no futuro?

  • Essas crianças podem se tornar jovens cheios de si, que acreditam ser mais inteligentes do que a geração anterior; e acreditam que serão melhores profissionais, cônjuges e pais do que sua própria mãe e pai.
  • Ela pode levar um choque, que até mesmo comprometa seu estado psicológico, quando precisar encarar a realidade da vida e perceber que esta pode ir muito aquém de suas expectativas.
  • Pode se tornar narcisista, em constante necessidade de aprovação e vontade de controlar os outros, não importando os modos que consegue ter controle, podendo ser a receita para uma depressão mais tarde, quando ela tiver certeza que as coisas nem sempre funcionam como ela espera.
  • Dificuldades de socialização.
  • Insegurança.
  • Falsa sensação de poder e autonomia, pois ela só é o centro das atenções dentro de casa, quando vai para rua percebe que a coisa não é bem assim.
  • Não terá referência forte e de segurança de um adulto durante a sua formação.
  • Irá culpar os pais por serem omissos na formação dela. A criança, já na fase adulta, irá olhar ao redor e ver que outras pessoas podem se realizar sozinhas, sem a ajuda dela. A criança que acha que o mundo tem que parar para ela passar, não consegue imaginar que isso pode não acontecer.
  • Não está preparada para lidar com qualquer tipo de frustração da vida.
  • Dificuldade de relacionamento e problemas em fazer novos amigos.

Como faço para evitar a infantolatria em minha casa?

A primeira coisa a fazer para que isso não aconteça na sua família é entender que a criança pode ser o centro das atenções logo nos primeiros meses de vida, o que é muito importante para a construção da sua personalidade. Mas, como já falamos, essa fase é curta e não deve passar do início do segundo ano para que ela possa entender que não é o único interesse na vida dos seus pais. Parece até cruel falar desse jeito, mas sua sua vida precisa continuar e sua criança não precisa deixar de ser a coisa mais importante para você, tenho certeza que ela é, apenas precisa existir um equilíbrio para que você não seja uma mãe ou um pai estressado, se culpando a todo momento, e para que sua criança possa crescer mais segura e autoconfiante.

Para que você não seja vítima da infantolatria é necessário que os desejos dos pais desfoquem dos da criança. É preciso que pai, a mãe, a vó ou a cuidadora exerçam seus papéis de educadores e que tenham outros interesses, não só na criança, para que ela consiga se sentir pertencente a uma família e não dona dela.


Resumindo para você:

  • Infantolatria é o nome usado quando os pais idolatram o filho ao extremo, sem impor limite algum.
  • Este tipo de atitude pode criar na criança uma falsa sensação de poder e autonomia que, futuramente, pode se transformar em uma grande sensação de insegurança.
  • Existe um período que dar atenção exclusiva para a criança é necessária, quando ela é bebê e extremamente dependente.
  • Sinais de que a infantolatria pode estar acontecendo em sua casa: a criança que sempre escolhe o que a família vai assistir na televisão; ela também decide o programa que a família via fazer no fim de semana e nas férias; não consegue se entender na escola com os colegas e nem com os professores; sempre escolhe o que vai vestir e o que vai comer; não consegue lidar com o não; você e seu marido não conseguem fazer mais nada daquilo que gostam; a vida conjugal de vocês já está ficando abalada; quando vocês está abrindo a mão dos seus sonhos.
  • Consequências da infantolatria no futuro da criança: pode se achar mais inteligente que os outros; pode levar um choque de realidade; tem grande chance de desenvolver uma depressão quando adulto; dificuldades de socialização; pode se tornar um adulto inseguro; pode ter uma falsa sensação de poder e autonomia; pode não ter referência de segurança de um adulto; pode culpar os pais por serem omissos na formação dele; não está preparada para lidar com frustrações; pode ter dificuldades de relacionamento.
  • Para evitar a infantolatria é necessário que os desejos dos pais desfoquem dos da criança, que cada um mantenha seu papel na família.

Depois desta leitura, tenho certeza que você terá condições de evitar este tipo de problema na criação de sua criança. Ou, até mesmo, saber lidar se isso está começando a acontecer dentro da sua casa. Lembre-se, o grande problema não é gerado pelas crianças e sim pelos pais que permitem que isso aconteça.

E na sua casa? Como é? Sua criança não é mais um bebê e continua sendo o centro das atenções?

7 COMENTÁRIOS

  1. Nossa, Guta, vc é demais! Seus artigos são superesclarecedores.
    Busco sempre ler e me informar a respeito da criação de meu bebê, pois acredito que devemos investir na maternidade e na paternidade como, normalmente, investimos em nossa carreira, já que acredito que sejam algo que requerem de nós muito mais que a intuição, ainda mais atualmente…
    Meu bebê tem 1 ano e 1 mês. Damos muito, mas muito amor pra ele, mas tentamos corrigi-lo sempre, contando sempre com a orientação de Deus.
    Abraços!

    • Oi, querida!! Fico muito feliz que esteja gostando!! 🙂 Obrigada por comentar! Tem razão, hoje em dia os desafios são outros, comparado aos que nossos avós e pais enfrentaram. E como a gente cresce e aprende nessa jornada que é a maternidade e paternidade, não é mesmo? Vc faz bem em colocar o amor caminhando junto com regras e limites, que bom que entende isso, assim criaremos filhos mais seguros e confiantes. Beijo grande

    • Claro, querida! Que bom que gostou! 🙂 Peço apenas que coloque os créditos a mim no começo do artigo e deixe o link clicável do artigo original, pode ser? Dei uma olhada no seu blog tb e achei muito legal. Olharei com mais calma. Beijo grande

    • Pois é, querida… precisa existir um limite, não estamos fazendo bem ao deixar nossas crianças fazerem tudo, não estamos sendo pais mais legais por isso, elas precisam saber que há alguém tomando decisões importantes por elas para se sentirem seguras. Obrigada por comentar. Beijos

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